Corrupção em escala
Cláudio Zumaeta - Historiador graduado pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC, Ilhéus – BA) Administrador de Empresas graduado pela Universidade Católica de Salvador (UCSAL, Salvador – BA). Especialista em História do Brasil (UESC, Ilhéus – BA)
Por: Radar Notícias - Data: 14/02/2012 - 08:27:12
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 A filósofa russo-americana Ayn Rand (judia, fugitiva da Revolução Russa que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920), declarou: “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.”

Meus Deus!, Ayn Rand estava se referindo o Brasil?! Não!, claro que não. Mas, que se aplica sob medida a essa nossa patriazinha de meia pataca, ah, se aplica e como! Devo dizer, meu amigo/irmão Popó, que há muito tempo vinha eu pressentindo que o Brasil caminhava, a passos largos, para o poço sem fim da mediocridade. Agora, já não é pressentimento; é certeza! Chafurdamos na lama da cretinice ideológica, mergulhamos nos fétidos esgotos da apatia social, e aplaudimos a mentalidade imbecilizante da política brasileira... Porém, isso não é tudo: a grande mídia, cooptada, se calou (e se cala!) frente aos escândalos políticos, econômicos e sociais mais escabrosos da nossa história. A grande mídia (vendida!) entregou (e entrega!) o Brasil, escondendo do povo brasileiro, os verdadeiros autores e os interesses que estão por detrás de todos esses escândalos. O Brasil continua refém de políticos (agora com discursos “maquiados” a fim de se apresentarem como “diferentes”), que ao longo de décadas sempre estiveram (estão!) vinculados à casos de corrupção, formação de quadrilha, e assalto ao dinheiro público.

O professor Olavo de Carvalho, filósofo, jornalista e ensaísta, autor de “O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras” (1996), afirmou recentemente: “Quem quer que conheça a história intelectual do nosso país sabe que é uma constante da sociedade brasileira o ódio à inteligência, misto de temor e despeito, e acompanhado, à guisa de compensação neurótica, pelo culto devoto aos títulos, cargos e honrarias exteriores que a substituem eficazmente em festividades acadêmicas e homenagens parlamentares. A mentalidade geral, já antiga e tão bem retratada por Lima Barreto, segue a das vizinhas fofoqueiras do Major Quaresma, que, ao ver pela janela a biblioteca daquele infausto patriota, comentavam: “Para que tanto livro, se ele não é nem bacharel?”Quem fala pela boca deles não é a inteligência humilhada pelo sucesso da ignorância: é o corporativismo do establishment acadêmico, que gostaria de reservar para si o monopólio da produção de analfabetos diplomados, sem dividi-lo com a mídia e os partidos políticos.”

Você tem razão, meu atento e inteligente amigo Aécio, é lamentável e irritante, mas, de fato, a corrupção em escala no Brasil parece ter perdido completamente os freios (e agora que pode tudo, quase todos acham “natural”. Já ouvi até de um “doutor” da UESC dizer que “sempre foi assim... Porque teria que ser diferente agora?”). A roubalheira conveniente, e autorizada, anda de mãos dadas com os corruptos de sempre ou com aqueles que chegaram e/ou estão chegando: O Brasil institucionalizou a corrupção. E os corruptos por sua vez, riem na cara dos trabalhadores honestos; depois descansam fora do país, brindando a boa vida com bebidas caras, cercados por prostitutas de luxo... A impunidade, a bandalheira, o cinismo, o tráfico de influência, o superfaturamento, as licitações fraudulentas tiram férias em paraísos fiscais, refazendo suas forças e reforçando o “caixa 2” para as próximas eleições!

Daniel Piza (jornalista do Estadão, falecido precocemente aos 41 anos) escreveu com maestria: “A corrupção corrói o dinheiro e o espírito público, impune como sempre (quais dos ministros demitidos por pressão pública serão de fato julgados e condenados?). Mas o brasileiro não desiste nunca… E nem protesta”. E Diogo Molina no site “Observatório da Imprensa”, destacou:: “O Brasil é o país que mais gasta com parlamentares, mas o que menos gasta com condições dignas de humanidade para sua população.”

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